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A decisão de colocar um cachorro em sua vida não é tão fácil quanto parece.

Nestes anos trabalhando com adestramento, um dos grandes desafios foi o de fazer alguns tutores perceberem que cuidar de um cão não é apenas colocar água e comida e passear. Não se trata de um animal que vai ficar o tempo todo quieto, sem latir, ou que não dará trabalho.

Em muitas oportunidades, vi tutores de primeira viagem entrando em desespero, e muitas vezes creditando apenas ao adestrador a responsabilidade de “consertar” aquele bichinho que estava “aprontando” muito.

Não se trata de consertar algo que veio com defeito. Trata-se de entender que um cachorro depende muito mais do que o “básico”. Cada um tem suas características, algumas até comuns em algumas raças, porém cada um tem sua personalidade. E entender isso faz com que você saiba o que precisa proporcionar pra que ele tenha qualidade de vida.

Os serviços de um adestrador são sempre bem vindos, trazendo à tona um olhar profissional sobre o comportamento de seu pet. Porém pode ser injusto colocar em uma outra pessoa a responsabilidade por não ter ideia de como se cuidar de um cachorrinho.

Apenas gostar de um cachorro não significa que não existam responsabilidades.

Falaremos um pouco sobre algumas características que podem lhe ajudar caso ainda não tenha tomado a decisão de adotar ou comprar um cachorrinho.

Ambiente

Tenha em mente que um ambiente ideal não se trata apenas de um apartamento grande, ou uma casa enorme com quintal e piscina.

Devemos primeiramente levar em conta a questão da segurança. Uma casa com um quintal pode trazer certas preocupações, como a falta de muro, ou grades com vãos em que cães de pequeno porte possam fugir, assim como piscina sem proteção, podendo levar um cachorro distraído a se afogar.

Já em apartamentos, as janelas podem ser um enorme perigo, principalmente as sem grade ou tele de proteção, e como móveis muito próximos, que possibilitem a um bichinho curioso que escale e tenha acesso a uma janela desprotegida.

Na verdade, todo o ambiente deve ser averiguado para evitar qualquer tipo de acidente, como objetos que o cão possa ter acesso, achar que são brinquedos, pegar, quebrar, engolir pedaços, etc.

Algumas coisas podem parecer pequenas, mas estudando bem algumas características da raça, você consegue perceber se o seu ambiente é o mais adequado. Um exemplo é um apartamento ou casa com um piso frio e bem liso, como alguns tipos de porcelanato. Alguns cães muito peludos, e com tendências genéticas a ter problemas articulares, podem a médio ou longo prazo ter seus problemas “adiantados”, devido a dificuldade em se levantar e caminhar neste tipo de superfície.

Ou até mesmo aquela porta que vive batendo com o vento e sempre lhe assustou, mas que pode ser perigosíssima para um pet.

Tenho tempo?

Sim, é uma pergunta importantíssima que deve ser feita. Como dito inicialmente, não se trata apenas de colocar água, comida, comprar dezenas de brinquedinhos e levar para passear.

É necessário tempo e dedicação para proporcionar ao seu novo melhor amigo a melhor qualidade de vida possível, atendendo suas necessidades, afim de que comportamentos inesperados ou indesejados surjam por conta disto.

Pessoas que moram sozinhas e tem por exemplo um estilo de vida de viajar muito, seja a trabalho ou a lazer, devem já avaliar as condições destas saídas, como deixar seu cão com parentes que possam de antemão recebê-lo, ou serviços de hospedagem de cães.

Finanças

Engana-se quem pensa que com um cachorro em casa, seus gastos serão apenas com sua alimentação e itens básicos em geral, como potes, brinquedos e coleira. Montei uma seção completa sobre o enxoval da chegada, englobando não só estes itens considerados básicos, como outros tantos que virão a ser necessários para a qualidade de vida dele.

Devemos considerar também os custos com consultas veterinárias, vacinação, possíveis enfermidades que necessitarão de medicação, dentre tantos outros fatores que podem em um certo momento fugir ao pensamento, mas que devemos estar preparados para tal.

E se o cachorro começar a aprontar muito?

Uma coisa que percebi nestes anos treinando cães, é que normalmente filhotes “aprontam”. Alguns poucos filhotes quietos demais, desconfiava de que algo não estava bem, e até sugeria uma visita de um veterinário. Alguns realmente eram bem quietinhos, mas outros estavam com algum problema na saúde que não os permitiam realizar atividades.

Tenha em mente que as possibilidades são grandes de seu bichinho aprontar um pouco, como pegar algum objeto que não pode, fazer xixi ou cocô em locais “errados” (sim, “errados”, pois eles não nascem sabendo o que é o certo), entre outros.

Este material está aqui para lhe auxiliar com os mais comuns problemas comportamentais, com dicas e ideias para que esta jornada seja a mais tranquila possível. Mas não descarte a ajuda de um profissional adestrador caso não esteja conseguindo dar conta de seu amigo peludo.