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Os latidos são uma das formas de comunicação dos cães, e é difícil encontrar cachorros que não latam. O problema é quando se torna a principal forma de se comunicar deles, e isso passa a incomodar os tutores e a vizinhança.

Existem várias formas de se comunicar, seja uma mordidinha nos pés, seja cutucando com as patinhas, utilizando o próprio xixi, mas nada mais natural que o latido. E historicamente algumas raças tem uma predisposição maior a latidos, não sendo uma regra.

Em casos de excesso, devemos tentar entender quais os motivos do cachorro, e principalmente checar se o erro está em como lidamos com a situação, que é o que acontece na maioria das vezes. Sim, indiretamente os tutores sem saber acabam contribuindo para que este tipo de situação ocorra.

Em muitos casos, senão a maioria, as primeiras noites do filhote em casa podem ser marcadas por latidos, choro e uivos, isso porquê está se adaptando a um novo estilo de vida longe de sua mãe e em condições diferentes ao que já estava acostumado. E dependendo da reação dos tutores, neste momento pode se construir um comportamento. Mas como isso?

Numa primeira noite em que o filhote durma sozinho em um cômodo da casa, percebe que não existe ninguém por perto começa a latir, e para evitar que todos na casa acordem ou até mesmo tenha reclamação dos vizinhos o tutor vai até seu encontro e o tranquiliza, cessando o latido. Após acalmá-lo, torna a deixá-lo sozinho, e poucos minutos depois o cachorro percebe e late novamente e o tutor novamente retorna ao filhote. Em pouco tempo e com a repetição deste processo, o filhote começa a perceber que ao latir quase que imediatamente deixa de ficar sozinho e ganha a atenção das pessoas. Esta frequência faz com o que comportamento aconteça cada vez mais e com maior intensidade.

Podemos dizer que o latido está sendo recompensado, pois gera uma resposta positiva ao cachorro, que deixa de ficar sozinho e acaba ganhando companhia e atenção.

No tópico A Primeira Noite temos dicas específicas para tornar este dia mais tranquilo.

Quando um cachorro aprende um comportamento e acaba sendo recompensado, mesmo sem o dono saber disso, há uma forte tendência que aconteça mais e mais vezes, e devemos desde cedo trabalhar para que isto não ocorra.

Latidos para chamar atenção

Em casos em que o cachorro esteja latindo muito para chamar sua atenção, procure o ignorar para fazê-lo perceber que isto não vai fazer com que consiga o que queira. Lógico que o ideal é fazer isso em horários que não incomode os vizinhos. Experimente deixar o filhote latindo por alguns segundos até que desista, e poucos segundos depois você pode dar atenção a ele, para que perceba que só receberá o que quer se não tiver este comportamento.

Mostre a ele que existem outras maneiras de se conseguir o que quer, seja lhe cutucando com as patinhas, sentando à sua frente ou lhe lambendo, por exemplo.

Pode ser que ele use este tipo de comunicação para conseguir qualquer coisa, como sair de um cômodo da casa, para que alguém pegue a bolinha que foi parar embaixo de um móvel, ou mesmo querendo a comida que as pessoas estão comendo. Procure não dar atenção nestes casos, justamente para não o estimular neste comportamento.

Nos casos em que os latidos perdurem por alguns minutos, o ideal é procurar a ajuda de um profissional adestrador.

Latidos para campainha e interfone

Muito comum os toques da campainha e interfone gerarem uma euforia em seu cachorro. Costumo dizer a meus clientes que em aproximadamente 90% das vezes em que um interfone toca significa que uma pessoa está prestes a chegar em casa. Isso nos casos de condomínios, onde os outros 10% podem ser um aviso para buscar alguma encomenda ou que faltará água ou energia, por exemplo.

E basicamente em 100% dos casos o toque da campainha significa que alguma pessoa está do outro lado da porta, entrando ou não.

Aos poucos os cães vão fazendo a ligação entre o toque e a presença de uma pessoa, se tornando eufórico, seja pela ansiedade em receber a pessoa com uma festa, ou até mesmo para alertar os donos de um possível perigo, caso tenha medo de pessoas estranhas.

Como dica de treino que acaba funcionando bastante, costumo pedir aos meus clientes que tornem estes toques uma situação tranquila e mais controlada.

Abrir a porta e tocar a campainha na frente do seu cão e o recompensar a cada toque em que não estiver latindo e repetir várias vezes este treino pode levá-lo a perceber que o toque significa a hora do petisco, transferindo toda a atenção que daria ao toque para você, diminuindo a euforia pela chegada de uma visita. Com isso sairíamos daqueles 100% de certeza que há uma pessoa do outro lado da porta, uma vez que a campainha tocaria diversas vezes sem que haja alguém.

Com o interfone o processo seria o mesmo, mas provavelmente seria necessária a ajuda do porteiro. Converse com eles sobre a importância que esse auxílio tem para não termos um cachorro latindo muito com o simples toque.

Latidos para barulhos em geral

Muitos cães acabam latindo para barulhos em geral, seja um caminhão passando pela rua, para o carro dos bombeiros, ou para os cães dos vizinhos que também estão latindo.

Caso este comportamento esteja ocorrendo de maneira excessiva, a ponto de incomodar a tranquilidade da casa e até mesmo a tranquilidade do seu cachorro, busque saber quais são as principais fontes que geram este comportamento.

Primeiramente, identifique se a quantidade e qualidade das atividades que seu cachorro possui está adequada. Cães que não tem muito o que fazer geralmente criam comportamentos indesejados, justamente pela falta do que fazer. Tomar conta da casa, alertar a todos sobre barulhos que são corriqueiros ou se comunicar com os cães dos vizinhos ou da rua podem ser um sinal também de que tudo que está sendo proposto a ele não é o suficiente.

Se o cachorro por exemplo late toda vez que escuta a porta do elevador se abrindo no corredor, procure realizar um treino com alguma pessoa abrindo e fechando a porta do elevador por alguns minutos, e ao ouvir o barulho recompense caso não lata. Quanto mais treinos ocorrerem maior a tendência de que este estímulo já não seja passível de latidos, e se torne comum como vários outros sons cotidianos.

No casos de latidos na rua, procure identificar quais os motivos, e por se tratar de um ambiente diferente de sua casa, pode se tornar necessária a ajuda de um profissional adestrador.