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Trata-se de um assunto que levanta várias dúvidas e polêmicas.

Entre amigos, familiares, tutores de cães, você encontrará muitas opiniões a favor e contra, com os mais diversos argumentos. Mas o que você pensa sobre a castração?

Em pesquisas pela internet, veremos que uma das principais vantagens a serem lidas sobre a castração é a de controle populacional. Muitas ONGs e grupos de resgate promovem campanhas de conscientização e cirurgias para que a quantidade de animais abandonados seja cada vez menor.

Do ponto de vista da saúde, este tipo de cirurgia pode reduzir drasticamente as chances de doenças graves no sistema reprodutor, como tumor nos testículos ou no útero.

Nestes anos trabalhando com adestramento, percebi que a maioria dos questionamentos sobre a castração envolve a parte comportamental, numa esperança que a cirurgia funcione como algo milagroso para fazer com que os cães parem de ter determinados comportamentos indesejados.

Por questões hormonais, muitos cães começam a ter atitudes diferentes de quando eram filhotes. Isso é super normal. Nós humanos também passamos por fases, como quando éramos bebês, crianças, adolescentes e adultos.

Mas porquê muitos creditam à castração uma possível solução de “problemas”? Acontece que alguns comportamentos adquiridos pelos cães tem um fator hormonal envolvido, e dependendo desta fase, a castração faz com que se reduza gradativamente a produção destes hormônios, podendo deixar os cães mais calmos e tranquilos, e não desenvolvendo a fundo determinadas atitudes. Um exemplo seria um cachorro macho que ainda não atingiu 1 ano de idade, porém com a testosterona trabalhando a mil em seu corpo, já que se encontra na “puberdade”. Um comportamento de demarcar território, urinando em diversos pontos da casa e da rua é super normal de acontecer, e dependendo do período da castração, pode não acontecer mais.

Mas isso seria uma regra? Não!

É comum que vejamos algumas mudanças significativas no comportamento de cães castrados. Podem não ser imediatos, pois apenas a produção de hormônios foi diminuída, mas os hormônios já produzidos permanecem em seu corpo. Pode levar um tempo até vermos mudanças, se estas forem acontecer.

Alguns comportamentos acabam se tornando tão presentes e firmes na vida de um cachorro, que mesmo após uma cirurgia, podem continuar se repetindo. Por isso dizemos que a castração não é uma regra para que estes não tornem a se repetir. Em alguns casos, novos comportamentos aparecem.

Pode ser interessante conversar com o médico veterinário e um profissional de adestramento sobre possíveis treinos, afim de se trabalhar algo que julgue necessário.

Com qual idade realizar a castração?

Trata-se de um ponto bastante controverso. No geral, se leva em conta a idade e a maturação hormonal. Alguns profissionais veterinários indicam que as fêmeas devem ser operadas somente após o primeiro cio, porém outros não possuem este entendimento.

Neste ponto, indico que seja levada em conta não só a opinião do veterinário que atenda seu filhote, como de outros profissionais veterinários, afim de se formar um entendimento sobre qual o melhor período para que a cirurgia seja feita em seu cachorro.

Como é a cirurgia?

Nos machos, temos 2 tipos de cirurgia:

Orquiectomia: Quando os dois testículos são retirados. É o mais comum.

Vasectomia: Cirurgia onde se bloqueia a passagem de espermatozóide, como a feita em homens.

Nas fêmeas, também encontramos 2 tipos:

Ovariohisterectomia: Os ovários e o útero são removidos. É a cirurgia mais utilizada em cadelas, pois previne diversos problemas de saúde como a piometra, e impede a gravidez.

Ovariectomia: Apenas os ovários são retirados. É mais rara, utilizada principalmente para impedir a procriação.

Antes de se pensar em qualquer tipo de cirurgia de castração, é essencial conversar com o médico veterinário para que seja indicado o melhor tipo, e para que se façam os exames laboratoriais para indicar se seu peludo está preparado para uma intervenção deste tipo.

Pós-Operatório e Repouso

Por se tratar de uma cirurgia invasiva, é necessário que o cachorro fique em repouso por alguns dias. O mais comum solicitado pelos veterinários é de 10 dias, onde se evitam passeios e atividades mais pesadas, como brincadeiras que exijam mais da parte física dos cães.

Neste período, comumente os peludos usam uma vestimenta, normalmente chamada de roupa cirúrgica, ou um acessório chamado colar elizabetano, popularmente apelidado de abajur

Estes servem para que o cachorro não tente lamber ou arrancar os pontos onde a incisão foi realizada, e não prejudique a cicatrização e recuperação. Determinados cães podem não se adaptar facilmente a estes itens, por incômodo. Para facilitar este processo de adaptação, costumo já solicitar ao cliente que, semanas antes de se realizar a cirurgia, já se confirme com o veterinário qual o melhor acessório a ser utilizado no pós-operatório, para que se iniciem os treinos e o cachorro chegue à época de recuperação totalmente acostumado com seu uso.